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O Programa de Pós-graduação em História Comparada  objetiva construir um espaço de produção de conhecimento referente aos fenômenos sociais em seus diversos ângulos de abordagens através da construção de um campo de exercício de experimentação comparada. Para tanto, o Programa estruturou-se em duas Linhas de Pesquisa, que se constituem em seus conjuntos de problemas, a saber:

Poder e Instituições

A Linha Poder e Instituições reúne estudos sobre as instituições e as organizações políticas, econômicas, culturais, sociais, desde a antiguidade até o tempo presente, desenvolvidos a partir do método comparativo em suas diversas modalidades. São abordados temas relacionados a governos, órgãos da justiça, forças armadas e demais grupos militares, partidos, religiões, escolas, sindicatos, ONGs, agremiações esportivas, diplomacia, organizações e atores internacionais, imprensa, dentre outros. Como as instituições e organizações se caracterizam pela busca do monopólio e do controle, as pesquisas enfatizam a análise das estruturas, das estratégias e dos instrumentos de dominação.  Compreende-se que as formas de dominação abrangem valores, crenças, símbolos, ritos, normas, práticas, identidades, saberes, etc., o que implica na reflexão sobre a imbricação entre o social, o cultural, o ideológico, o econômico e o político. Parte-se do pressuposto de que há diferentes formas de dominação, que não se limitam a tipos específicos de instituição e organização e não se restringem ao desenvolvimento de forças de coerção e violência. Considera-se que,  face à dominação, os diferentes grupos e agentes sociais respondem com subversões, resistências, desvios, táticas, tensões, conflitos, o que exige, em muitos casos, a negociação, o consentimento, o acordo, o transformismo, o pacto. Assim, interessa-nos estudar tanto os mecanismos de atuação dos diversos grupos e agentes sociais quanto as variadas instâncias reguladoras e mediadoras. As pesquisas reunidas nesta linha também se dedicam à discussão de aspectos teóricos, em perspectiva transdisciplinar, a partir do diálogo com as reflexões de  distintos autores, como Marx, Gramsci, Jameson, Adorno, Agamben, Foucault, Bourdieu, Thompson, dentre outros. São, portanto, preocupações desta linha de pesquisa a análise comparativa do papel, da função e da eficácia das instituições e organizações; das diferentes formas e instrumentos de dominação; das resistências, dos conflitos, e das sublevações dos grupos sociais envolvidos nas relações de poder, e  das negociações, dos consensos e pactos.

Poder e Discurso

A Linha Poder e Discurso reúne os estudos sobre as experiências cotidianas em suas diversas formas, relacionadas aos aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ideológicos que afetam as vivências dos indivíduos e grupos sociais. Admite-se que a vida cotidiana é heterogênea em todos os seus níveis e que, a cada momento, ela é capaz de instaurar acontecimentos não passíveis de previsão. Por este motivo, toda a teoria é provisória, precisando ser ratificada e/ou desconstruída pela experiência cotidiana dos sujeitos, quando suas próprias expectativas são colocadas em jogo.  Assim, os estudos dessa linha, desenvolvidos a partir do método comparativo em suas diversas modalidades, objetivam a elaboração de proposições teóricas e metodológicas a partir da reflexão sobre o efêmero, dialogando com as perspectivas de autores como Thompson, Heller, Geertz, Sahlins, Ginzburg, Chartier, Arendt, dentre outros. Como as experiências cotidianas estão permeadas por discursos, os estudos desenvolvidos nesta linha se preocupam em discutir sobre a formação, propagação, circulação e imposição dessas narrativas em sua conexão com os diversos processos sociais que ocorrem no dia-a-dia das sociedades em diferentes épocas. Ou seja, as pesquisas abordam a incidência dos discursos na vida social, a partir de diversas perspectivas teóricas, e se atêm à investigação sobre as formas de alienação, de negociação de status, de hierarquização e diferenciação social, de produção de hegemonias, de estratégias de dominação, bem como da promoção de identidades, exclusões, orientações, comportamentos. Compreende-se, ainda, que estudar como os discursos incidem no cotidiano das sociedades é valorizar os modos de assentimento/assimilação; as diversas formas de resistência, sublevação, subversão, e as variadas maneiras como circulam e são reinterpretados. Como as experiências cotidianas fornecem materialidade aos processos históricos, por meio dos vestígios que são legados pelas práticas diárias, as pesquisas desta linha também buscam analisar tais testemunhos. São, portanto, a partir de uma perspectiva multidisciplinar, abordados temas como a comida, a religiosidade, o saber popular, os boatos, os rumores, as festas populares, os cuidados e/ou desprezo pelos grupos sociais, as práticas sexuais e esportivas, não necessariamente vinculadas à intervenção estatal ou às organizações. Neste sentido, aplicamos teorias, métodos e abordagens variadas; dialogamos com diferentes campos do conhecimento, como a Ciência Política, a Antropologia, a Sociologia, a Arqueologia, a Ciência da Religião, a Teologia, a Linguística, a Literatura, e comparamos os resultados, visando estabelecer as contribuições específicas da História ao estudo das experiências cotidianas face às dinâmicas das sociedades específicas.